Quarta-feira, 25 de Março de 2015

-=Voltar=- por Pedro Chagas de Freitas

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 No dia em que te abandonei quis que ficasses para me veres voltar, é assim, sabias?, que os poetas amam, imaginei que me esperavas com a lingerie da nossa primeira noite, o sorriso maroto das tuas pernas entreabertas, os lábios pintados só para me marcares a sério, eu iria fazer-me de difícil, sabes como é, um olhar sério para aqui, uma palavra seca para ali, talvez até uma lágrima que treinei frente à loja de electrodomésticos antes de voltar, tu irias pedir por favor para eu te perdoar do que, nessa altura, juro-te, já não sei o que seria, só queria os lençóis fechados e o teu corpo frio no meu para inventarmos o calor perfeito.

_______________________________________

in Prometo falhar, a mais recente obra de Pedro Chagas Freitas.

Encomenda de exemplares autografados exclusivamente através do e-mail
pedrochagasfreitas1@gmail.com


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Segunda-feira, 2 de Março de 2015

-=Gosto de te amar=- por Pedro Chagas Freitas

 

gosto de amar com os dedos,
encontrar o centímetro em que nasce o orgasmo
em ti, perceber a extensão da forma como te sobressaltas,
e encostar-te o meu ouvido à boca para ouvir a voz de
deus.

gosto de amar com os olhos,
gastar a hipótese do sono e ver-te adormecer,
a noite escura e o silêncio de um abraço,
e se queres que te diga
só te escolhi por engano, queria o amor dos livros
e virei escritor, os dias inteiros à espera do teu corpo
para que as metáforas aconteçam.

gosto de amar com as lágrimas,
praticar o abismo, a largura estreita dos teus lábios,
a sensação de mar excessivo da tua língua,
até a maneira como me percorres o sexo
com a extremidade da tua respiração parada,
e sobretudo submeter-me ao castigo da emoção
de te amar ainda depois do final do prazer,
a pequena morte acabada
e a vida toda outra vez a começar.

gosto de amar com o que me resta,
e tudo o que sei é que me resta amar-te.
_______________________________________
in Prometo falhar, a mais recente obra de Pedro Chagas Freitas.
Encomenda de exemplares autografados exclusivamente através do e-mail
pedrochagasfreitas1@gmail.com

 

Já está nos meus dedos um poema meu inspirado por este...


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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015

-=Procurava=- - Por Pedro Chagas Freitas

– Antes de ti procurava; depois de ti continuo a procurar. Mas já encontrei. Procuro mais do que encontrei.
– Amar é isso. Procurar mais mesmo depois de já estar encontrado.
– Na pior das hipóteses encontro-te outra vez.
(abraço apertado)
– Sabes que sempre que acordo ainda te olho, ainda te toco? Para saber que estás, para saber que isto existe. 
– E ver-te respirar. Fico horas a lutar contra o sono para te ver respirar. Sinto cada movimento do teu peito como se sentisse o espaço que a vida ocupa dentro de mim. O teu peito sobe e eu vou com ele, desce e eu vou com ele. E é assim que me adormeço, com a certeza de que respiras. Com a certeza de que posso dormir descansado.
(lágrimas no rosto dela, a cabeça perdida no colo dele)
– Acordamos sempre de mãos dadas. Já reparaste?
_______________________________________
in Prometo falhar, a mais recente obra de Pedro Chagas Freitas.
Encomenda de exemplares autografados exclusivamente através do e-mail
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Domingo, 8 de Fevereiro de 2015

-=Ser feliz é complicado=- por Pedro Chagas Freitas

Se não ficares estupidamente feliz só por veres a pessoa que amas feliz, desiste de amar, porque, ficas a saber, quando se ama a felicidade só existe em par, e quando um dos dois está feliz sem o outro estar feliz então é porque estão os dois infelizes enquanto não estiverem os dois felizes.

in Prometo falhar, a mais recente obra de Pedro Chagas Freitas.
Encomenda de exemplares autografados exclusivamente através do e-mail
pedrochagasfreitas1@gmail.com


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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2015

-=Felicidade=- por Pedro Chagas Freitas

 

Se não ficares estupidamente feliz só por veres a pessoa que amas feliz, desiste de amar, porque, ficas a saber, quando se ama a felicidade só existe em par, e quando um dos dois está feliz sem o outro estar feliz, então é porque estão os dois infelizes enquanto não estiverem os dois felizes. 


_______________________________________
in Prometo falhar, a mais recente obra de Pedro Chagas Freitas.
Encomenda de exemplares autografados exclusivamente através do e-mail
pedrochagasfreitas1@gmail.com


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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2015

-=Velhinhos=- por Pedro Chagas Freitas

Se não te imaginares a ficar velhinha ao lado de um velhinho que é a pessoa que amas e se isso não for uma imagem que te arrepia de felicidade da ponta dos pés à ponta dos cabelos, desiste de amar, porque, ficas a saber, quando não se percebe que envelhecer é fixe porque te oferece a possibilidade de poderes amar até ao fim dos teus dias a pessoa que amas, então se calhar não se ama nada.

in "Prometo falhar", a mais recente obra de Pedro Chagas Freitas.

Encomenda de exemplares autografados exclusivamente através do e-mail: pedrochagasfreitas1@gmail.com

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Domingo, 13 de Outubro de 2013

-=Porque me apetece #152 - por Pedro Chagas Freitas=-

PORQUE ME APETECE#152  A minha mulher que eu amo é nota vinte na Escala de Musa. E nota vinte na Escala de Tusa também.  Tem tanto de deusa como de fracasso, tanto de santa como de puta.  A minha mulher que eu amo não é a mulher mais bonita do mundo e é por isso que é a mulher mais bonita do mundo.  Não diz sempre as palavras certas, não procede sempre da melhor maneira, nem sequer é infalível quando se propõe fazer algo e é menos de metade do que aquilo que queria ser. E ainda assim nunca deixou de me dar as palavras necessárias a cada momento, os actos que eu preciso quando eu preciso deles, e atingir o destino que ambos queríamos atingir.  A minha mulher que eu amo tem tanto de céu como de inferno, tanto de branco como de preto, tanto de noite como de luz. Farto-me dela porque só ela me farta, só ela me enche e preenche, só ela me faz sentir-me inteiro quando me falta tudo e só tenho a ela.  Fode e faz amor comigo, grita, chora e geme com a mesma verdade. Zanga-se, atira-me com coisas ou pensa que atira só para se sentir melhor, não tem medo de mostrar o que lhe dói nem tem medo de mostrar o que a deixa eufórica. É tão pessoa como eu, tão actriz como eu sou actor, quando às vezes sentimos que o mundo pode cair e depois nos colamos um ao outro, e colamos, tijolo a tijolo, o que há para colar, e o mundo continua a rodar, sabendo que basta estarmos juntos para nada impedir o nosso caminho.  A minha mulher que eu amo tem ciúmes e não os esconde, tem vontade de partir a cara a umas quantas, o secreto desejo de que mais ninguém me veja, para que só ela me possa ver. E eu tenho os mesmos ciúmes, a mesma vontade de esmagar de pancada quem simplesmente a olha e gosta, o nada secreto desejo de a guardar só para mim, fechada no nosso cantinho de para sempre. Mas depois o mundo chega e até nós gostamos. Gostamos de descobrir que a água do mar é fria demais mesmo quando é quente, que quando o frio aperta somos mesmo um corpo unido por quatro braços, que conseguimos rir até das pequenas desgraças das nossas diferenças. Debatemos ainda de qual de nós os gatos gostam mais, fazemos apostas que invariavelmente e incompetentemente perco e me fazem estranhamente sentir-me vencedor por dentro do sorriso dela. A minha mulher que eu amo tem a pele absoluta, o corpo derradeiro. Tem tanto de pecado como de remissão. É a minha musa e a minha tusa, o poema total e o orgasmo pleno. Tem tanto de independente como de precisada. Tanto de forte como de frágil. Tanto de morte como de vida. Tanto de alicerces como de terramoto. Tanto de fera como de presa, assassina feroz e pobre vítima. Gosta que a amem, simplesmente, de sentir-se amada por quem fatalmente ama.  Sou dela, como nunca de ninguém.  Teu, sim.  Vem.






PORQUE ME APETECE#152
   A minha mulher que eu amo é nota vinte na Escala de Musa. E nota vinte na Escala de Tusa também. Tem tanto de deusa como de fracasso, tanto de santa como de p*ta. A minha mulher que eu amo não é a mulher mais bonita do mundo e é por isso que é a mulher mais bonita do mundo. Não diz sempre as palavras certas, não procede sempre da melhor maneira, nem sequer é infalível quando se propõe fazer algo e é menos de metade do que aquilo que queria ser. E ainda assim nunca deixou de me dar as palavras necessárias a cada momento, os actos que eu preciso quando eu preciso deles, e atingir o destino que ambos queríamos atingir. A minha mulher que eu amo tem tanto de céu como de inferno, tanto de branco como de preto, tanto de noite como de luz. Farto-me dela porque só ela me farta, só ela me enche e preenche, só ela me faz sentir-me inteiro quando me falta tudo e só tenho a ela. F*de e faz amor comigo, grita, chora e geme com a mesma verdade. Zanga-se, atira-me com coisas ou pensa que atira só para se sentir melhor, não tem medo de mostrar o que lhe dói nem tem medo de mostrar o que a deixa eufórica. É tão pessoa como eu, tão actriz como eu sou actor, quando às vezes sentimos que o mundo pode cair e depois nos colamos um ao outro, e colamos, tijolo a tijolo, o que há para colar, e o mundo continua a rodar, sabendo que basta estarmos juntos para nada impedir o nosso caminho. A minha mulher que eu amo tem ciúmes e não os esconde, tem vontade de partir a cara a umas quantas, o secreto desejo de que mais ninguém me veja, para que só ela me possa ver. E eu tenho os mesmos ciúmes, a mesma vontade de esmagar de pancada quem simplesmente a olha e gosta, o nada secreto desejo de a guardar só para mim, fechada no nosso cantinho de para sempre. Mas depois o mundo chega e até nós gostamos. Gostamos de descobrir que a água do mar é fria demais mesmo quando é quente, que quando o frio aperta somos mesmo um corpo unido por quatro braços, que conseguimos rir até das pequenas desgraças das nossas diferenças. Debatemos ainda de qual de nós os gatos gostam mais, fazemos apostas que invariavelmente e incompetentemente perco e me fazem estranhamente sentir-me vencedor por dentro do sorriso dela. A minha mulher que eu amo tem a pele absoluta, o corpo derradeiro. Tem tanto de pecado como de remissão. É a minha musa e a minha tusa, o poema total e o orgasmo pleno. Tem tanto de independente como de precisada. Tanto de forte como de frágil. Tanto de morte como de vida. Tanto de alicerces como de terramoto. Tanto de fera como de presa, assassina feroz e pobre vítima. Gosta que a amem, simplesmente, de sentir-se amada por quem fatalmente ama. Sou dela, como nunca de ninguém. Teu, sim. Vem.


Gostei!

publicado por -=amadorjp=- às 11:28
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